UMA ESTRELA QUE PERDEU O BRILHO

Luiz Gonzaga Marques

Numa noite do ano de 1943, quando a 2ª Grande Guerra cobria a Europa de “sangue, suor e lágrimas”, na esclarecida visão do Sir Winston Churchill – Prêmio Nobel de Literatura 1953. Surgiu deslumbrante, no Oriente de Paraúna, a ESTRELA DIAMANTINA, 16ª Loja Maçônica goiana, federada ao Grande Oriente do Brasil.

Isto posto, caminhemos pelos trilheiros da história, colhendo fatos para a história da Maçonaria, em Goiás.

O povoado de São José do Turvo, no Sudoeste Goiano, na microrregião Serra do Caiapó, pela Lei nº 903, de julho de 1930, passou a chamar-se Paraúna, que pelos étimos tupi significa: PARA = rio e UMA = preto. Nesse mesmo ano, foi elevado à categoria de Distrito.

O Decreto Estadual nº 5.108, de 10 de novembro de 1934, o elevou a Município, além de ser constituído Termo da Comarca de Rio Verde.

Na cidade de Rio Verde, em 1936, foi fundada a Loja Maçônica Estrella Rioverdense, pioneira, introdutora da Sublime Instituição no Sudoeste do Estado de Goiás.

Um de seus fundadores, Agenor Diamantino, de imediato idealizou a construção de seu Templo definitivo e da Escola Primária “Moreira Guimarães”, destacando-se como maçom dinâmico, qualidade que já era conhecida no mundo profano e ajudara a elegê-lo Vereador e Deputado Estadual, de onde fora conduzido a uma Secretaria de Estado.

Agenor Diamantino exerceu a venerança da Loja Maçônica Estrella Rioverdense, por várias vezes; no primeiro mandato (1941/42), iniciou nesta Loja profanos residentes no Termo Judiciário de Paraúna e, entre eles, o hoje Irmão Ernesto Gomes da Silva (falecido quando da publicação deste, em 13/04/1996), Serventuário da Justiça, que viu a Luz no dia 29 de junho de 1942.

No seu segundo mandato, como Venerável (1942/43), incentivou os Irmãos residentes em Paraúna a fundar uma Loja Maçônica na cidade, e contribuiu, decisivamente, para torná-la realidade.

Conta o Irmão Ernesto Gomes da Silva, residente em Goiânia, maçom ativo por todo esse templo, membro de uma família estruturada nos sagrados princípios da Sublime Ordem, que do estreito relacionamento com os maçons rioverdenses, nasceram os laços de profunda amizade com o Venerável Agenor Diamantino.

Fundada a Loja em Paraúna, deram-lhe o título distintivo de ESTRELA DIAMANTINA, homenagem ao maçom Agenor Diamantino, em reconhecimento às suas atividades desenvolvidas em prol da Ordem Maçônica, na impossibilidade de ser adotado o seu próprio nome.

O brilho da Estrela e a cintilação diamantífera, todavia, tiveram curta duração; fatores diversos e ponderáveis fizeram com que a Oficina abatesse Colunas.

Hoje, pouco se conhece de sua história, mas prova evidente de seu nascimento e vida é o Ato, assinado pelo Dr. Joaquim Rodrigues Neves, Soberano Grão-Mestre da Ordem e Soberano Grande Comendador do Supremo Conselho do Brasil para o Rito Escocês Antigo e Aceito, publicado no Boletim do Grande Oriente do Brasil, nºs 6/8, junho/agosto, 1943 – Ano 68 – Pág. 147:


Ato nº 1.782 – Dia 13 (julho-1943)

O Sob.’. Gr.’. Com.’. do Supr.’. para o Brasil:

Resolve: ad referendum do Sup.’. Cons.’. autorizar a regularização da Loj.’. ESTRELA DIAMANTINA, ao Or.’. de Paraúna, Estado de Goiaz, providenciando o Pod.’. Ir.’. Gr.’. Sec.’. do Sant.’. Imp.’. para expedição do respectivo Breve Constitutivo.
 

Hoje, apagada, já brilhou, intensamente, nos céus de Paraúna, iluminando a Ponte de Pedra, as águas do Turvo e a Pedra do Cálice, a Augusta e Respeitável Loja Simbólica ESTRELA DIAMANTINA.

Autor: Luiz Gonzaga Marques, membro da Loja Maçônica Liberdade e União, da Academia Goiana Maçônica de Letras, e ex-ministro do Supremo Tribuna de Justiça Maçônico do GOB.

Artigo publicado no Jornal “Voz do Oriente” do Grande Oriente do Estado de Goiás, edição nº 07 de abril de 1996, Goiânia GO.

 

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Abel Tolentino
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