LOJA MAÇÔNICA NO PRESÍDIO

Luiz Gonzaga Marques


Foto ilustrativa
 

Nasceu no Presídio de Santa Leopoldina, Província de Goyaz, a Loja Maçônica “Fraternidade Araguayana”, a 2ª (segunda) em antiguidade (Grande Oriente do Estado de Goiás).

Criado pela Lei Imperial de 29 de janeiro de 1.849, esse Presídio Militar foi construído no Governo Provincial do Dr. Eduardo Olympio Machado, pelo Doutor em matemática, João Batista de Castro Morais Anta.

Desde o início, o estabelecimento tornou-se conhecido apenas pela denominação de Leopoldina, nome que também teve a povoação que se formou ali na margem direita do Rio Araguaia e na confluência do Rio Vermelho, território goiano.

Com a chegada de religiosos, a localidade passou a ser chamada de Santa Leopoldina.

De 1939 a 1958, sustentou a condição de Distrito do Município de Goiás; por força da Lei Estadual nº 2.427, de 18 de dezembro de 1958, foi levado à categoria de Município, instalado no dia 1º de janeiro de 1959, com o nome de Aruanã.

A historia conta que, sob a presidência do Dr. Antero Cícero de Assis, foi criada a Companhia de Aprendizes Militares, pelo decreto nº 5.205, de 3 de junho de 1876, instalada a 7 de setembro de 1877, e no seu quadro administrativo aproveitado o tenente reformado do Exército, Manoel Pereira de Mesquita, para ocupar o cargo de “Constructor”.

O ten. Manoel Pereira de Mesquita, Grau 30, do Quadro de Obreiros da Augusta Loja Capitular “Estrela do Oriente”, Oriente de Cuiabá-MT, participava da vida da Augusta e Respeitável Loja Capitular “Azylo da Razão”, Oriente de Villa Boa de Goyaz, Capital da Província de Goyaz, onde residia e era domiciliado.

No exercício do cargo, em Leopoldina, com autorização do Delegado Especial do Grande Oriente do Brasil na Província, Irmão Augusto Teixeira de Magalhães Leite, promoveu a fundação da Loja Simbólica “Fraternidade Araguayana”, com sede no Presídio de Leopoldina ou de Santa Leopoldina, já em plena atividade, na margem direita do majestoso Rio Araguaia. Foi seu primeiro e, talvez, o único e último Venerável-Mestre.

Para maior esclarecimento, “Presídio”, “Forte” ou “Fortaleza”, era estabelecimento que tinha à época, por função dar apoio à navegação e sustentação ao comércio desenvolvido pelas Companhias de Navegação, então existentes.

O termo “Presídio” não significava “Detenção”, “Prisão”, mas uma “Praça de Armas”, o que equivale a dizer que se tratava de uma “Vila” fortificada, com guarnição de soldados para cuidar da defesa contra eventuais invasões, armadas ou não, notadamente dos valentes guerreiros Carajás, hostis ao homem civilizado.

Ainda que desconhecida e irregular, não é ingenuidade histórica acreditar na existência dessa Loja Maçônica “Fraternidade Araguayana”, pois documento autêntico, datado de 1877, atesta e revela o fato de que tinha vida chancelado pelo Irmão Manoel Pereira de Mesquita.

Alias, demonstra o documento que o seu Venerável-Mestre, Irmão Manoel Pereira de Mesquita, escrevia, fluentemente, tinha grande conhecimento de Maçonaria, dominava as suas leis e regulamentos, era maçom identificado com a Ordem, competente para fundar e dirigir uma Loja Maçônica, em qualquer época e local diferente.

Autor: Luiz Gonzaga Marques é membro da Loja Maçônica "Liberdade e União", membro da Academia Goiana Maçônica de Letras, e ex- Ministro do Supremo Tribunal de Justiça Maçônico do Grande Oriente do Brasil.

Artigo publicado no jornal "Voz do Oriente" do Grande Oriente do Estado de Goiás, edição nº 04 de novembro e dezembro de 1995.

 

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Abel Tolentino
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