LOJA MAÇÔNICA FRATERNIDADE ARAGUAYANA

Data da Fundação:
Cidade: Aruanã
Cep: 76710-000
Rito: ESCOCÊS

LOJA MAÇÔNICA FRATENIDADE ARAGUAYANA

Existe desde a primeira metade do século XIX á margem direita do majestoso Rio Araguaia, na divisa dos Estados de Goiás e Mato Grosso, o porto Manoel Pinto localizado na confluência com o Rio Vermelho, onde foi edificado um presídio militar criado pelo Imperador com o Objetivo de dar sustentação a navegação comercial que o governo tentava estabelecer como fator de progresso e desenvolvimento.
Construído pelo engenheiro João Batista de Castro Morais Anta em obediência à ordem imperial de 29 de janeiro de 1849, a obra do presídio teve começo no governo provincial do Dr. Eduardo Olympio Machado, e aquele lugarejo de imediato tomou o nome de Leopoldina, em homenagem a primeira esposa do Imperador Pedro I, a Imperatriz Leopoldina.

Para ilustração “presídio” “forte” ou “fortaleza” era estabelecimento que tinha por função dar apoio, sustentação ao meio de transporte que desenvolvia o comércio no Rio Araguaia e se estendia até o mar vias das empresas de navegação.
Portanto, o termo “presídio” não tinha sentido de “prisão”, nem de “detenção” mas de uma “praça de armas”, o que equivale a dizer que o Presídio de Leopoldina tratava-se de uma “vila” fortificada, com guarnição de soldados para cuidar da defesa contra eventuais invasões armadas ou não, notadamente, dos índios selvagens e guerreiros habitantes na região.

A historia ainda conta que, sob a presidência do Dr. Antero Cícero de Assis, foi criada na Província de Goyás a Companhia de Aprendizes Militares através do decreto nº 5.205 de 03 de junho de 1876, a qual em seguida fora instalada e assumiu a administração do Presídio de Leopoldina e fazia parte do seu quadro de pessoal o tenente reformado do Exercito Nacional, Manoel Pereira de Mesquita, na condição de ocupante do cargo de “construtor”.

O tenente Manoel Pereira de Mesquita, grau 20, originário do quadro de Obreiros da Augusta Loja Capitular “Estrela do Oriente” Mato Grosso, mas participava ativamente da vida da Augusta e Respeitável Loja Capitular Asylo da Razão, oriente de Vila Boa, capital da Província Goyás, onde passou a ser residente e domiciliado.

Já no exercício  do cargo administrativo de construtor no Presídio de Leopoldina, ás vezes, Santa Leopoldina de pois da chegada de religiosos, o maçom Manoel Pereira de Mesquita tornou-se Venerável Mestre da Loja Maçônica “Fraternidade Araguayana” recém fundada e com sede naquele Oriente, após expressa autorização do Irmão Augusto Teixeira de Magalhaes Leite, Delegado Especial do Grande Oriente do Brasil junto a Loja Simbólica “Asylo da Razão”, sendo sem duvida esta Loja “Fraternidade Araguayana” a segunda em antiguidade no território goiano.

A Loja “Fraternidade Araguayana”, rito Escocês Antigo e Aceito não chegou a ser regularizada mas existiu de fato , exerceu atividades como as chamadas “Lojas de emergência” ou “Lojas de Ocasião”, condição essa tolerada pelas leis maçônicas, teve pouco tempo de vida e abateu colunas por causa da oscilação da politica, além das mudanças dos projetos por parte dos sucessivos dirigentes da Província.

A navegação do Rio Araguaia foi uma tentativa, nunca prosperou por causa da visão administrativa de cada Presidente da Província que entrava no exercício do cargo, sendo que as vezes recebia impulso e logo em seguida desativação dadas as frequentes substituições, até ser completamente desativada com o advento da Republica, ainda hoje á notícias que vem e vão, aparecem e desaparecem.

A fonte que materialmente atesta a existência desta Loja “Fraternidade Araguayana”, oriente de Leopoldina GO, é o certificado expedido por ela, ou seja, uma espécie de passaporte maçônico entregue ao iniciado Thomas Pereira Finto, para lhe servir de documento de identificação maçônica regular, redigido de acordo com os preceitos que governam a Sublime Instituição.

Mas, ainda que de pouca duração e irregular, seguiu os ideais propostos pela Ordem Maçônica e por isso, não é ingenuidade histórica acreditar na existência da Loja “Fraternidade Araguayana”, onde e uma vez que nela ou por ela, o profano Thomas Pereira Pinto, tornou-se maçom, conquistou os três graus simbólicos de Aprendiz, Companheiro e Mestre da Maçonaria, como testa e revela documento autentico, com nevarietur  e chancelado pelo então Venerável Mestre Irmão Manoel Pereira de Mesquita.

A Gl. Do Gr. Arch. Do Um. – SI. P. Nós Gr. Inquis. Gr. Ele. Cav. YE Cav. Da Águia Branca e Negra, membros da Aug. e Resp. Loj. Cap. Estrela do Ocidente do Rit. Esc. Ant. e Ac. Nato do Gr. Or. e Ven. da Loj. Irregular - “Fraternidade Araguayana” – do mesmo Rit., iniciamos, nos grs. De Apr., Com. e Mest. A Thomas Pereira Pinto, natural da Província de Pernambuco, com quarenta e dois anos de idade, solteiro, negociante, por concorrerem nele as qualidades precisas para pertencer a Ord. Maç. com a obrigação de regularizar-se no prazo de seis meses em qualquer Loj. Regul. onde pagará a joia e mensalidades. Traç. em lugar ved. As vist. pprof. no presídio de Santa Leopoldina, aos 15 dias do mês de setembro de 1877 E. V. (7º mês mac. De 5.877). As. Manoel Pereira de Mesquita, Gr. 30. Ne Varietur: Thomas Pereira Pinto”.

O único documento comprobatório da existência da Loja Maçônica “Fraternidade Araguayana” demonstra que o “construtor”, Venerável Mestre Irmão Manoel Pereira de Mesquita, escrevia fluentemente, tinha grande conhecimento de Maçonaria, dominava ás suas leis e regulamentos, era maçom identificado com a Ordem, competente, reunindo condições para funda e dirigir uma Loja Maçônica, em qualquer época e local diferente.
Mas, o lugar denominado Leopoldina de 1939 a 1958 sustentou a condição de Distrito do Município de Goiás por força de Lei Estadual nº 2.427, de 18 de dezembro de 1958, foi elevado á categoria de Município e instalado no dia 1º de janeiro de 1959, com o nome que ainda permanece de Aruanã, famoso polo turístico que desenvolveu por causa da caça, pesca abundante e a beleza da região.

 

Abel Tolentino
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