LOJA MAÇÔNICA ACÁCIA BRASILIENSE 1183

Nome: ACÁCIA BRASILIENSE Nº 1183
Data da Fundação: 04/02/1944
Fone: 62-3233.2231
Endereço: AV. BERNARDO SAYÃO Bairro: MARECHAL RONDON
Cidade: GOIÂNIA - GO  Cep: 74.553-000
Sessão: SEGUNDA Rito: ESCOCÊS

Títulos;
26/10/2007 - Cinqüentenário do GOEG
31/10/2006 - Reconhecimento e Gratidão
14/10/2006 - Dedicação Maçônica
13/10/2006 - Lealdade Maçônica
14/10/1998 - Dedicação Maçônica
30/01/1990 - Grande Benfeitora da Ordem
10/02/1988 - Benfeitora da Ordem

Estandarte da Loja Maçônica Acácia Brasiliense 1183

 

HISTORIA DA LOJA MAÇÔNICA ACÁCIA BRASILIENSE

Waltrudes da Cunha

Foi fundada em 04 de fevereiro de 1944.

Funcionava na antiga Rua Pires do Rio nº 388, hoje Rua Geraldo de Oliveira Ney, a Loja Maçônica “Liberdade e União”, primeira Loja fundada em Goiânia, em caráter precário em um barracão, até que se construísse o prédio próprio na Avenida Paranaíba.

Pugnavam os irmãos de Campinas, que eram maioria, para que permanecesse neste bairro a Loja “Liberdade e União”, e outra Loja Maçônica se fundasse em Goiânia, no Templo novo. Estabeleceu-se em torno desta tese forte polêmica, que muitas vezes chegava à exaltação. Os Irmãos de Goiânia queriam levar a Loja, os de Campinas não concordavam. O Venerável-Mestre, nosso irmão Santino Lyra Pedrosa, muito habilidoso, sempre se discutia o assunto e notava que os Irmãos de Campinas estavam em maioria, ele adiava a votação. Aconteceu assim várias vezes, até que, um dia, os irmãos de Campinas descuidaram e ficaram em minoria. Ai então ele pôs em votação e foi aprovada a transferência da Loja Maçônica. Na sessão seguinte, os irmãos de Campinas, somente eles, encontraram o barracão vazio: móveis, alfaias, arquivos, tudo tinha sido levado. Foi uma falta de consideração muito grande para com os irmãos de Campinas, todos membros do Quadro da Loja, e este dia, sexta-feira, ela realizou a Sessão em Goiânia sem que os irmãos de Campinas fossem avisados. Os nossos irmãos conseguiram alguns caixotes vazios e de pé, nesta mesma noite, 04 de fevereiro de 1944, fundaram uma Loja com quatorze irmãos presentes, que por sugestão do nosso irmão Victor Coelho de Almeida recebeu o nome de “ACÁCIA BRASILIENSE”.

Ata de Fundação da Loja Maçônica Acácia Brasiliense

Figuravam como membros fundadores da nova Loja os seguintes irmãos: Dr. Eduardo de Freitas (18.’.), Teófilo de Oliveira Neto (18.’.), Antônio Lauro Cruz (3.’.), Henrique Carneiro de Castro (18.’.), Victor Coelho de Almeida (18.’.), Venerando de Freitas Borges (18.’.), Galdino de Paula Siqueira (3.’.), Eduardo Bilenjiam (18.’.), Manoel Domingos Terrível (18.’.), Francisco Lopes de Oliveira (Apr.’.), Josias Silva (18.’.),  Dirceu Torres (18.’.), Permínio Leal de Albuquerque (3.’.), João Marcelino (18.’.), João Paz Esteves (3.’.), Lauro Septímio Alves (Apr.’.), Albano Dias (18.’.), José Vieira (18.’.), Adolfo Bueno Ribeiro (Apr.’.), Bernardino Rosa (3.’.), Dr. Geraldo Rodrigues dos Santos (30.’.), Manoel Bento Costa (30.’.), Reinaldo Tony (18.’.), Bento Silva (3.’.), Manoel Guilhermino dos Santos (30.’.), Waldomiro Semionatto (Apr.’.), Walfredo de Oliveira (3.’.), Eloi Mendonça (Apr.’.), Euclides R. Fernandes (Apr.’.), Leodolfo Evangelista Rocha (3.’.), Oclécio Alves Irineu (3.’.), Domingos Garcia Lima (18.’.), Cap. Getulino Artiaga (18.’.), Antônio Soares (18.’.), Cel. Benedito da Silva Albuquerque (18.’.), Carlos Alberto de Carvalho (3.’.), Eurípedes de Oliveira Neves (3.’.),Waltrudes Cunha (3.’.), e Manoel Terra (3.’.). Foi eleito seu primeiro Venerável o nosso irmão José Vieira e Orador o também saudoso irmão Victor Coelho de Almeida.

A nova Loja crescia rapidamente e os membros do seu Quadro não poupavam esforços no sentido de engrandecê-la. O nosso irmão Orador, grande educador, sentindo a falta de escolas no bairro de Campinas, pois as que tinha no bairro, não comportavam a demanda de matrículas, preocupou-se com o problema. Era grande o número de crianças que não conseguiam matrícula nas escolas por falta de vagas. Victor Coelho sugeriu a Loja que funda-se uma escola custeada pela mesma a fim de colaborar com o próspero bairro no setor da educação. Posteriormente, a escola foi fundada, ainda na gestão do nosso irmão José Vieira, mas infelizmente, o seu patrono não assistiu ao ato de sua fundação, pois já tinha sido chamado para o Oriente Eterno. Em sua homenagem a escola recebeu, muito merecidamente, o seu nome.

Relato de 10/04/1944 sobre a criação de uma Fundação de Acácia Brasiliense
para criação do "Asilo à Velhice Desamparada" com a presença do
Prefeito de Goiânia, Irmão Venerando de Freitas Borges

Naquela época, a política maçônica era manipulada na cidade do Rio de Janeiro, por um grupo de cartolas da maçonaria, que não abriam mãos do poder. O Grão-Mestre Geral, Dr. Joaquim Rodrigues Neves, cumprindo já um segundo mandato, pretendia nova reeleição para um terceiro. O protesto foi geral em todos os Estados da Federação e um movimento de reação, partindo do Estado de Minas Gerais, logo se alastrou por todo o país. O nosso irmão Manoel Guilhermino, a muito tempo descontente com a política continuista do Grande Oriente do Brasil, liderou um movimento, dentro da Acácia Brasiliense, para se fundar uma Loja das Grandes Lojas filiada às Grandes Lojas de São Paulo. Levou com ele os seguintes irmãos: Albano Dias, João Paz Esteves, Walfredo Antunes, Aderbal Antunes, Manoel Terrível, Eduardo de Freitas e outros, fundando a Loja Maçônica Adonhiram a 31 de julho de 1946.

Breve Constitutivo da Loja Maçônica Acácia Brasiliense
autorizando trabalhar no Rito Brasileiro
datado de 17/04/1944

A saída destes irmãos, não abalou o quando da Acácia Brasiliense que continuou crescendo e trabalhando com muito entusiasmo pela nossa causa. Aumentava, cada vez mais, o descontentamento das Lojas do Grande Oriente do Estado de Goiás do Brasil com a política continuísta do nosso Grão-Mestre Geral. No seio da nossa Loja Maçônica o descontentamento era geral. Ninguém aceitava aquela política, todos repudiavam-na.

Em fase de deprimentes acontecimentos em uma reunião na sede do Grande Oriente do Brasil, onde compareceram irmãos de vários Estados, notadamente de Minas Gerais, que culminou em escândalo vergonhoso para a nossa Ordem, explorado pela imprensa profana, os irmãos Álvaro Palmeira, Osmane Vieira de Rezende, Brigadeiro Tarcílio de Arruda Proença, Benedito Miranda Bonfim e outros fundaram a 10 de julho de 1948 o Grande Oriente Unido.

Na Acácia Brasiliense, pelas mesmas razões, já era grande o descontentamento, o Venerável da época sondando a opinião dos demais membros da Diretoria, em várias reuniões extra-loja, chegou à conclusão que a posição mais consentânea com as aspirações de todos os irmãos, era passar para o Grande Oriente Unido.

Antigo Templo da Loja Acácia Brasiliense na Avenida Bernardo Sayão

Neste sentido deu-se início a um trabalho de contato com todos os irmãos do quadro. Verificou-se que o desejo era unânime.O Venerável, cônscio de suas responsabilidades, convocou uma reunião de todos os membros do quadro. Nesta reunião, cujo comparecimento foi maciço, o Venerável expôs o motivo da mesma, dando a palavra para que todos se manifestassem, democraticamente, a respeito do assunto. Todos se manifestaram favoráveis à passagem da Loja Maçônica para o Grande Oriente Unido.

Posta em votação a proposição, a mesma foi aprovada por unanimidade. A partir deste dia, 16 de outubro de 1948, a Acácia Brasiliense passou a pertencer ao Grande Oriente Unido. Por motivo dessa atitude da Loja Maçônica, iniciou-se, por parte das Lojas do Grande Oriente do Brasil, uma guerra fria contra a nossa loja. Fomos considerados maçons irregulares, não somente os da Acácia, como também os da Loja Adonhiram.

Monitor Maçônico - Órgão oficial do
Grande Oriente Unido

Fecharam-se as portas das Lojas para todos nós e deram início a um trabalho de sapo junto aos membros do nosso quadro no sentido de se rebelarem contra a Loja. Alguns irmãos fraquejaram como os irmãos Antônio Gilberto, Ildefonso Pacheco, José Mota dos Reis Pessoa, Elias de Araújo Rocha, Waldemar Bitencourt e Souza, João Dias Neto, Josias Silva, José Luis, Hilton Paranhos, Antônio Lauro Cruz, Sebastião da Silva Neiva, Eurípedes de Oliveira Neves, e outros, fundaram a Loja Asilo da Acácia, filiada ao Grande Oriente do Brasil a 31 de outubro de 1948. A Acácia Brasiliense era tachada de célula comunista, Loja de Comunistas, Loja Maçônica espúria e coisas mais. Nada disso intimidou os nossos irmãos, continuaram o seu trabalho com serenidade, recebendo em seu Templo todos os irmãos de qualquer Loja que nos dessem a honra de suas visitas, dando assim um belo exemplo de fraternidade maçônica.

Por ocasião da visita do nosso irmão Osmane Vieira de Rezende, pertencente aos altos corpos do Grande Oriente Unido, que aqui veio em missão oficial, em sua homenagem foi fundada em 1951 a Loja Acácia Brasiliense II, hoje Mensageiros da Paz, dela fazendo parte vários irmãos como: Honório J. Alvares, Emerson Septímio Alves, Dirceu Torres, Alberto Carneiro Leão e outros. O ambiente maçônico em Goiânia, naquela época era o mais constrangedor possível, não se entendiam as Lojas do Grande Oriente do Brasil com as demais Lojas de outras potências. Não por culpa dos maçons, mas sim, das cúpulas dirigentes. Mas um dia o dedo do Supremo Arquiteto do Universo abriu caminho para o entendimento.

Dirceu Torres e outros irmãos da Acácia Brasiliense, tiveram a idéia de fundar uma Associação Beneficente em Goiânia, com a participação de todas as Lojas sediadas na Capital. A princípio a idéia pareceu absurda, em vista do desentendimento que havia entre as Lojas. A reunião foi convocada para o Templo da Loja Adonhiram que funcionava na Rua 6, centro de Goiânia. Por incrível que pareça, todas as Lojas ali compareceram com elevado número de irmãos. O Templo ficou superlotado. Fundou-se a Associação com a sigla de ASBEG. O Orador da Acácia Brasiliense, vendo aquela reunião fraterna, tão linda, maçons de todas as potências ali reunidos, fez um vibrante discurso a respeito e sugeriu que fosse assinado um PACTO DE AMIZADE E MÚTUO RECONHECIMENTO entre as Lojas e que as portas de todos os Templos fossem abertas a todos os maçons de qualquer potência. O Orador foi aplaudido de pé sob aplausos que duraram minutos. O Venerável Alexandre Gabriel, da Loja “Liberdade e União”, que presidia os trabalhos da reunião, em face dos aplausos, considerou aprovada a proposta. O Pacto foi, posteriormente, assinado e desse dia em diante, a luz da fraternidade passou a brilhar no Oriente de Goiânia.

Demolição do antigo templo da Loja Acácia Brasiliense
na Avenida Bernardo Sayão

A Escola Victor Coelho de Almeida, já funcionava com quatro cadeiras, duas custeadas pela Loja e duas pelo Estado, sempre em prédio alugado e mal acomodada. O Presidente da Escola resolveu fazer uma campanha objetivando a construção de um prédio próprio para a Escola. Neste sentido iniciou uma campanha financeira, lutou, ganhou vários lotes, ganhou material e o prédio foi construído, em tempo recorde, numa área de três lotes de 450 metros quadrados cada um, na Vila Abajá e inaugurado em setembro de 1952. Hoje, ali funciona o Grupo Escolar Victor Coelho de Almeida (1985).

Em 1955 a Acácia Brasiliense partiu para uma nova luta. Desta vez uma luta árdua, uma verdadeira guerra, que foi a fundação do Pecúlio Maçônico do Estado de Goiás – PEMEG. Nasceu o Pecúlio de uma tese defendida pelo representante da Acácia Brasiliense em um Congresso realizado pela Loja Asilo da Acácia. Todas as teses apresentadas no Congresso, aquelas chapas batidas como: Maçonaria e Religião, Maçonaria e Política, etc., foram calorosamente aprovadas e por unanimidade. Quando chegou a hora da nossa tese, que trazia em seu bojo, algo de objetivo e que iria mexer no bolso de todos, a briga começou. A maioria dos congressistas levantaram e manifestaram-se contra. O nosso irmão Dr. Goiás do Couto, representante da Loja Maçônica Asilo da Razão de Goiás, pediu a palavra novamente e concitou a todos os irmãos a aprovarem a nossa tese, uma vez que todas foram aprovadas e não ficaria bem reprovarem a nossa, mesmo por que, disse ele: “como vocês todos sabem isto morre aqui mesmo ao sairmos a porta do Congresso”. Graças a este errôneo argumento, a tese do Pecúlio foi aprovada. A partir daí a luta começou: marcha e contra-marcha, compreensão de uns, incompreensão de outros, otimismo de uns, derrotismo de outros, finalmente, depois de muita luta, a 05 de março de 1955 o Pecúlio Maçônico do Estado de Goiás foi fundado e hoje (1985), já com trinta anos de vida, é o orgulho, não somente da Maçonaria Goiana, como também da Maçonaria Brasileira.

O Presidente do PEMEG, membro da Acácia Brasiliense, com o objetivo de propagá-lo, fundou, em 1956, um jornal que recebeu o nome de “O MENSAGEIRO”. Era um jornal de tiragem mensal que publicava entre outras coisas, os balancetes do PEMEG e tudo mais que se referia ao mesmo. O “O MENSAGEIRO” circulou de 1956 a 1959.

A partir de 1944, passaram pela Venerança da Loja Maçônica Acácia Brasiliense os seguintes irmãos: José Vieira, Geraldo Rodrigues dos Santos, Dirceu Torres, Waltrudes Cunha, Levino Albino de Faria, Benedito da Silva Albuquerque, José Pereira Filho, Permínio Leal Albuquerque, José de Oliveira Zenha, Lourival Borges do Nascimento, Iwace Ciguekazu, José Agenor Lino e Silva, Benevides Mamede, Ivo Sasse, Eurípedes Barbosa Nunes e atualmente (1985) Armando Costa.

Fachada do Templo da Loja Acácia Brasiliense na Avenida Bernardo Sayão

A Acácia Brasiliense funcionou, inicialmente no barracão da Rua Pires do Rio, já ampliado. Posteriormente, resolveu-se construir naquele local, um prédio de vinte pavimentos, ficando a Loja Maçônica com o térreo e o primeiro. Com este objetivo, foi contratado um arquiteto para fazer o projeto. O prédio da Loja foi demolido e ela passou a funcionar na Loja Maçônica “Asilo da Acácia”. Encaminhada a planta para Prefeitura, a Secretaria de Obras negou aprovação, sob a alegação de que a rede de esgotos não comportaria a carga do edifício. Na impossibilidade de se construir o prédio já projetado, no seu terreno na Rua Pires do Rio, ela adquiriu um imóvel de uma máquina de arroz na Avenida Bernardo Sayão, que foi adaptado e finalmente, foi o mesmo demolido e construído no seu lugar um novo prédio com um magnífico Templo, que foi sagrado em 17 de junho de 1985, onde a Acácia Brasiliense, como sempre, estará de braços abertos para receber a todos os irmãos, e muito especialmente aos nobres deputados que dignamente representam, nesta casa, todas as Lojas Maçônicas filiadas ao Grande Oriente do Estado de Goiás.

Trabalho de pesquisa apresentado pelo Irmão Waltrudes Cunha, no dia 05 de outubro de 1985, à Poderosa Assembléia Estadual Legislativa do Grande Oriente do Estado de Goiás, e publicada pela mesma em seu jornal com o nº 04 de 03 de maio de 1986.

 

Abel Tolentino
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