Augusta e Respeitável Loja Simbólica
João Pedro Junqueira - 2181

Oriente de Anápolis - GO

 

Histórico, Estrutura e Algumas Características
do Rito Brasileiro*

 

1 – HISTÓRICO DO RITO BRASILEIRO

Dos 150 Ritos praticados pela Maçonaria Regular, em todos os recantos da Terra, o Rito Brasileiro é um deles. O Rito Brasileiro há muito tempo é REGULAR, LEGAL E LEGÍTIMO. Acata os Landmarks e os demais princípios tradicionais da Maçonaria, pondendo ser praticado em qualquer país.

Teria sido o embrião do Rito Brasileiro o apelo feito por um irmão Lusitano, um Cavaleiro Rosa Cruz, no ano de 1864, dirigido aos orientes Lusitano e Brasil, no sentido de que fosse criado um Rito novo e independente, mantendo os 3 graus simbólicos, de acordo com características nacionais. Este apelo vinha com a seguinte afirmação: “Convimos em que semelhante reforma é contrária ao cosmopolismo e tolerância Maçônica mas também é verdade que, enquanto os Maçons forem patriotas, e os povos fisicamente desiguais, a conservação de um Rito Universal, parece-nos impossível: Talvez que um tão gigantesco projeto só poderá ser possível no vigésimo século”. Esta idéia está publicada às páginas 6, volume I da obra clássica em Maçonaria, intitulada Biblioteca Maçônica ou Instrução Completa do Franco-Maçom, publicada em Paris, por Ailleaud Guillard.

Em 1878, em Recife surgiu a Constituição da Maçonaria do Especial Rito Brasileiro com aval 838 obreiros, presididos pelo comerciante José Firmo Xavier, para as Casas do Círculo do Grande Oriente de Pernambuco; Esta Constituição era Maçonicamente totalmente irregular, pois a mesma além de se assentar sob os auspícios de sua Majestade Imperial Dom Pedro II Imperador do Brasil, da Família Imperial e Sua Santidade Sumo Pontífice o Papa, nela estava incluído vários  preceitos negativos, como por exemplo: A admissão somente de Brasileiros natos, e em seu artigo 4º afirmava que uma das finalidades do Rito era defender a Religião Católica e sustentar a Monarquia Brasileira. Evidentemente o Rito não prosperou, pois era Irregular. Esta Constituição se encontra na Biblioteca Nacional e também está publicada nos livros: A Maçonaria e o Rito Brasileiro, de Hercules Pinto, Editora Maçônica, 1981, e Rito Brasileiro de Maçons Antigos Livres e Aceitos de Mário Name, Editora A Trolha, 1992.

Em 21 de Dezembro de 1914, na reunião do Conselho Geral da Ordem, presidido pelo Soberano Grão Mestre Lauro Sodré, o irmão Eugênio Pinto, orador interino, fez a proposta para criação do Rito Brasileiro, nesta reunião foi aprovada a criação do Rito Brasileiro, apenas um conselheiro teceu alegações  contrárias.

Em 23 de Dezembro de 1914, surgiu o decreto nº. 500, que deu o conhecimento aos Maçons e Oficinas da Federação, da aprovação, do reconhecimento e a adoção do Rito. Kurt Prober, respeitável pesquisador Maçom, teceu severas críticas à criação deste novo Rito, “Rito Brasileiro”, alegando que a sessão do Conselho da Ordem, não teve quorum suficiente, que o Rito Brasileiro foi inventado ao apagar das luzes e que foi criado por militares.

Em 1916, Lauro Sodré, afastou-se do 3º mandato de Soberano Grão Mestre do GOB, assumindo em seu lugar, Veríssimo José da Costa, ele encaminhou o decreto nº. 500 para aprovação da Soberana Assembléia Geral. Assim através de um novo decreto, desta vez o de nº. 536 de 17 de outubro de 1916, Veríssimo, Grão Mestre em exercício, após a aprovação da Assembléia, reconheceu, consagrou e autorizou o Rito, que fora criado e incorporado ao GOB.

Em junho de 1917, o Conselho Geral da Ordem aprovou a constituição do Rito com seus regulamentos, estatutos e rituais. Mesmo assim o Rito não prosperava, não que fosse “inventado” ao apagar das luzes, mas porque não havia uma oficina chefe, não possuía rituais publicados para um bom desenvolvimento.

Em agosto de 1921, através do decreto n° 680, o Soberano Grão Mestre expulsou o Grão Mestre e outros 45 Veneráveis de Lojas do Estado de São Paulo, cassando as cartas constitutivas daquelas Lojas, então estas lojas, depois de suas expulsões do GOB passaram a dotar o Rito Brasileiro, publicaram rituais para os 3 primeiros graus, copias fiéis do Rito Escocês.

Em 1940, Álvaro Palmeira propõe a formação de uma comissão para analisar, estudar e atualizar o projeto do Rito Brasileiro, que naquela época achava-se adormecido.

Em 1941, foi instalado o Supremo Conclave do Rito Brasileiro através do ato n° 1636. Este Supremo Conclave viria adormecer, pois havia pequenas diferenças entre o Grão Mestre Rodrigues Neves com o presidente do Supremo Conclave Otaviano Bastos.

Em 1968, considerado o ano da reimplantação do Rito Brasileiro, Álvaro Pimenta Soberano Grão Mestre assinou o decreto n° 2080, reativando o Supremo Conclave, determinando que 15 irmãos revissem a Constituição do Rito, adequando-a às exigências internacionais de regularidade, fazendo um Rito Universal, separando o simbolismo dos altos graus, conciliando a tradição com a evolução. Publicou-se todos os rituais necessários.

O Rito Brasileiro é atualmente (1993) uma realidade vitoriosa. Possui organização e doutrina bem estruturadas, que muito se diferencia da organização e doutrina incipientemente propostas ao longo de sua história.

Solidamente constituído é praticado por mais de 100 (cem)* Oficinas Simbólicas distribuídas por quase todas as unidades da Federação. Vale ressaltar que é o segundo Rito mais praticado no Brasil nos dias de hoje.

O Rito Brasileiro já tem condições de fundar uma loja em Miami, nos Estados Unidos, estando em vias de estudo as implicações internacionais sobre isto. O Supremo Conclave do Rito Brasileiro é a oficina chefe das Lojas Simbólicas que praticam o Rito Brasileiro com sede no Oriente de Rio de Janeiro à Rua do Lavradio nº. 100; tendo como Grande Primaz o irmão Nei Inocêncio dos Santos.

 

2 - ESTRUTURA DOUTRINÁRIA DO RITO BRASILEIRO
 

EM CINCO SEGMENTOS SE ESTRUTURA O RITO BRASILEIRO:

1 – Lojas Simbólicas               (Grau  1  ao  3)
       2 – Os Capítulos                     (Grau  4  ao 18)
       3 – Os Grandes Conselhos       (Grau 19 ao 30)
       4 – Os Altos Colégios              (Grau 31 ao 32)
       5 – O Sumo Grau 33

 

1 - Lojas Simbólicas

Grau 1  – consagrado à fraternidade humana, exemplificada na união dos irmãos.
        Grau 2  – consagrado à exaltação do trabalho construtivo e ao estimulo da solidariedade maçônica.
        Grau 3 – consagrando o princípio que a vida nasce da morte.

 

2 – Os Capítulos

Dedicados ao estudo da Filosofia Moral, distribuídos em 15 graus. Cada um com tópico especial - 14 virtudes culminando com o grau Rosa Cruz, de conteúdo moral e espiritual, degrau capitular máximo.

 

3 – Os Grandes Conselhos

Dedicados aos estudos dos problemas nacionais e da humanidade.
        Do Grau 19 ao 22: aspectos ligados à economia.
        Do Grau 23 ao 26: aspectos ligados à organização da sociedade.
        Do Grau 27 ao 30: aspectos ligados à arte, à ciência, à religião e à filosofia.

 

4 - Altos Colégios

Os Graus 31 e 32, dedicados ao bem público e ao civismo, a abordagem de assuntos políticos, tratados elevadamente, sem injunções partidárias.

 

5 - Sumo Grau 33

Máximo na hierarquia do Rito de caráter administrativo, com tendência em grau superior.

 

3 - ALGUMAS CARACTERÍSTICAS BÁSICAS DO RITO BRASILEIRO

 Cada Rito possui modo próprio de realizar suas cerimônias, respeitados os limites bem conhecidos, sob pena de heresia maçônica. O importante é que todos os Ritos tem o mesmo objetivo, qual seja, o de ordenar a prática dos estudos maçônicos, enumeraremos algumas características do Rito Brasileiro, que sem dúvida alguma, em nada implica em irregularidade.

 

1) Altar dos Juramentos no Oriente:

À época da instalação do GOB, em 1822, o altar era no oriente, atualmente a maioria dos ritos coloca-o no ocidente. Existem duas correntes, ambas demonstram suas razões, minha opinião pessoal é que o altar poderá ser colocado tanto no oriente quanto no ocidente. O Rito Brasileiro adota altar dos juramentos no oriente por ser está a tradição maçônica do GOB desde a sua fundação até meados de 1981.

 

2) Uso de Bastões

É por tradição, o uso de bastões pelo Mestre de Cerimônias e Diáconos. Na Grande Loja também se usa. Nosso Rito não assumiu a tradição suscitada dos Templários, os Diáconos e Mestre de Cerimônias portando espadas.

 

3) O Retorno da Palavra Sagrada

É uma peculiaridade do Rito Brasileiro, tem o significado simbólico de confirmar que os trabalhos foram bem conduzidos e bem concluídos. Como as luzes, que são acessas e amortizadas, o Livro da Lei, que é aberto e fechado; assim a palavra sagrada vai e retorna, imantando e desimantando. É efetivamente, algo característico do Rito Brasileiro, e assim procedemos desde os primórdios do rito.

 

4) Sinais

Além dos sinais convencionais de todos os ritos, temos também os sinais de obediência e do rito.

 

5) O Giro das Sacolas

É realizado em três “sub-giros”.

No Oriente após passar pelo Venerável, na Coluna do Norte após o 1º Vigilante, e na Coluna do Sul, após o 2º Vigilante. Se deseja simplificar, sem quebrar a hierarquia, respeitada em cada coluna.

 

6) Cerimônia das Luzes

Realizada pelo Venerável e Vigilantes. É uma peculiaridade de nosso rito. Simbolicamente o Venerável e Vigilantes, além de ser os 3 pilares que sustentam a Loja, são também as três luzes que iluminam em torno do Altar dos Juramentos. Coloca-se luzes místicas representam e evocam a onisciência, a onipotência e a onipresença divina.

Julgamos ser significativo, simbólico e esotérico a evocação que as luzes pessoais fazem às luzes místicas:

- A Luz do Venerável, símbolo da Sabedoria evoca a Oniciência;
        - A Luz do 1º Vigilante, símbolo da Força evoca a Onipotência, e;
        - A Luz do 2º Vigilante, símbolo da Beleza evoca a Onipresença.

 

7) Inversão das Colunas Salomonicas

É uma questão complexa, ensejando argumentações respeitáveis, com sentidos absolutamente opostos.

Na bíblia está escrito “J” à direita. No nosso rito, as colunas estão dentro do templo, portanto o rito não inverteu as colunas. É evidente que se simbolicamente as colunas estão fora do templo “J” estará à esquerda para o irmão dentro do templo. E assim fazem outros ritos.

 

8) Colunas Norte e Sul

Nosso rito baseia-se no Hemisfério Sul, portanto, no sul há menos luz e no norte mais luz, e assim sendo os Aprendizes sentam-se na Coluna do Sul e os Companheiros na Coluna do Norte.

 

9) Bateria: o-oo

 

10) Aclamação: Glória, Glória, Glória.
 

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Referências Bibliográficas:

 1 – Periódico “O Semeador” – Supremo Conclave do Brasil - Rito Brasileiro, nº. 27 e 29. Rio de Janeiro - RJ.

2 – Trabalhos: “Fragmentos do Rito Brasileiro e Calendário Histórico do Rito Brasileiro”, Ir. José Reinaldo de Melo – Oriente Brasília – DF.

3 – “A maçonaria e o Rito Brasileiro”, Irmão Hercules Pinto, Ed. Maçônica – RJ, 1981.

4 – Manual e Ritual de Maçons Antigos, Livres e Aceitos – Grau de Aprendiz, Segundo o Sistema do Rito Brasileiro – 1992.

5 - Rito Brasileiro de Maçons Antigos, Livres e Aceitos. Nane, Mário. Ed. “A Trolha”. 1992.

 

Valdir Roberto Galdeano
Loja Maçônica João Pedro Junqueira - 2181

 

* Trabalho publicado em 1993

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Abel Tolentino de Oliveira Junior
Loja Maçônica Luz no Horizonte 2038
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