1963 - 1968 O QUINQUÊNIO QUE TRANSFORMOU O GRANDE ORIENTE DO BRASIL

Helio Pereira Leite

Entre 24 de junho de 1963 e 24 de junho de 1968, o Grande Oriente do Brasil viveu um dos mais densos ciclos de reformas de sua história. À frente desse processo esteve o então Grão-Mestre Geral Álvaro Palmeira, cuja administração se destacou pela capacidade de articular mudanças estruturais em diferentes dimensões da vida maçônica.

Não se tratou de medidas isoladas, nem de ajustes pontuais. Ao contrário, o período revela a existência de um verdadeiro projeto de reorganização institucional, que buscou fortalecer a unidade da Federação, padronizar práticas ritualísticas, ampliar a formação cultural e projetar a Ordem para o futuro.

O primeiro passo dessa trajetória pode ser identificado em 12 de junho de 1965, com a criação da Editora Maçônica do GOB. A iniciativa teve impacto imediato e duradouro. Ao centralizar a impressão dos rituais em uso na Federação, a Editora contribuiu para reduzir divergências, eliminar adaptações locais indevidas e garantir maior fidelidade ao textos oficiais. Mais do que uma medida administrativa, tratou-se de um avanço estratégico na padronização ritualística.

No ano seguinte, em 22 de novembro de 1966, por meio do Ato nº 2.809, a administração deu um passo além dos limites da Loja ao instituir o escotismo no âmbito do Grande Oriente do Brasil. A iniciativa revelou uma visão ampliada da missão maçônica, incorporando a formação dos jovens como parte do compromisso com a sociedade. Ao investir na juventude, o GOB, reafirmava seu papel como agente de formação cívica e moral.

O processo de reorganização alcançou o seu ponto mais estruturante em 1967, com a promulgação de uma nova Constituição do GOB. Esse marco jurídico redefiniu competências, fortaleceu a autoridade federativa e estabeleceu as bases mais claras para o funcionamento da instituição. A partir desse momento, o Grande Oriente do Brasil passou a operar com maior coesão, reduzindo assimetrias entre suas diversas jurisdições e consolidando sua identidade nacional.

No campo ritualístico, o ápice das reformas ocorreu em 1968. Em 19 de março, por meio do Decreto 2.080, foi promovido o reimplante do Rito Brasileiro, resgatando uma tradição nacional e reafirmando a autonomia simbólica da maçonaria brasileira. Em cenário marcado pela forte presença de ritos estrangeiros, essa decisão representou um movimento consciente de valorização da identidade própria do GOB.

Poucos meses depois, em 11 de junho de 1968, o Decreto 2. 085, ainda em vigor, reconheceu formalmente a condição de Mestre Instalado, consolidando a prática da instalação ritualística dos Veneráveis Mestres. Com isso, reforçou-se a dimensão simbólica do Veneralato e avançou-se na uniformização litúrgica das Lojas.

Ao analisarmos em conjunto esses marcos - Editora Maçônica (1965), Escotismo (1966), Constituição (1967), reimplante do Rito Brasileiro e a consolidação do Mestre Instalado (1968) - torna-se evidente que o período de 1963 a 1968 não foi apenas uma fase de gestão, mas um momento de reconstrução institucional.

Essas iniciativas atuaram de forma integrada em quatro dimensões fundamentais: Jurídico, com a reorganização constitucional; Ritualístico, com a padronização das práticas litúrgicas; Cultural, com a criação da Editora Maçônica; Formativa, com a introdução do escotismo.

A convergências dessas ações demonstra que a administração de Álvaro Palmeira não se limitou à condução ordinária da Ordem, mas buscou estruturar um modelo mais organizado, coerente e alinhado com os desafios de seu tempo.

Na história das instituições iniciáticas, há períodos de continuidade e há momentos de inflexão. A década de 1960, no âmbito do GOB, foi claramente um desses momentos decisivos.

Ao final de seu mandato, em 1968, o GOB apresentava-se mais estruturado, mais uniforme e mais consciente de sua identidade. E isso permite afirmar que, naquele quinquênio, não apenas se administrou a Ordem – redefiniram-se os seus rumos.

* Helio P. Leite - um eterno buscador
Brasília, DF, 22 de março de 2026


Helio Pereira Leite, Nasceu em Fortaleza – Ceará, em 07 de agosto de 1940. Em 1959, concluiu o Curso Científico, no Liceu do Ceará.

Ainda em Fortaleza, fez  o Curso de Preparação de Oficiais da Reserva (CPOR de Fortaleza, turma de 1960).

Em São Luís (Maranhão) serviu como Oficial R-2 de Infantaria, no 24° Batalhão de Caçadores.

A partir de l963, radicou-se em Brasília, onde ingressou no Serviço Público, constituiu família e se bacharelou em Direito (CEUB, turma de 1972).

Em 1966, ingressou na Loja Maçônica União e Silêncio, federada ao Grande Oriente do Brasil.

Exerceu diversas funções maçônicas, destacando-se a de Grão-Mestre do Grande Oriente do Distrito Federal (gestã0 2003-2007).

Recebeu  várias comendas maçônicas, dentre as quais a Cruz da Perfeição, após quarenta anos  de atividades na Arte Real.

Participou do 4º Ciclo da ADESG-DF (turma 1975).

É Cidadão Honorário de Brasília, título concedido pela Assembleia Distrital Legislativa do Distrito Federal.

Presidiu a APAE-DF, tendo exercido o cargo de Procurador Geral da Federação Nacional das APAEs.

Produções literárias:  Ensaio –“ Maçonaria e Intelectualidade” (1989); Diário de Viagem – “Cuba, uma Ilha, dois países” (2002); “100 Peças de Arquitetura” (2010, organizado com Kleber S. Nascimento).

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Abel Tolentino
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Atualização 22/04/2026

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